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Brasil se prepara para maior demanda chinesa e preços mais altos de alimentos em meio à guerra comercial com os EUA

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SÃO PAULO, 6 de março (Reuters) - A guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a China dará aos exportadores agrícolas brasileiros uma oportunidade de conquistar uma fatia ainda maior do mercado chinês às custas dos agricultores americanos, mas também pode alimentar a já alta inflação de alimentos no Brasil. A China retaliou rapidamente nesta semana às novas taxas dos EUA anunciadas por Trump, impondo aumentos de 10% e 15% em impostos que cobrem US$ 21 bilhões em produtos agrícolas americanos, incluindo carne e soja. O Brasil, o maior exportador mundial de soja, algodão, carne bovina e de frango, deve enviar mais para a China, já que os importadores de lá buscam importações livres de tarifas. Durante o primeiro mandato de Trump, a guerra comercial que ele desencadeou com a China levou os fazendeiros dos EUA a perderem uma fatia do mercado para o Brasil, incluindo as valiosas importações de soja da China. Os EUA nunca recuperaram essa fatia de mercado para a soja. A China continua comprando mais de suas importações agrícolas do Brasil do que antes da primeira guerra comercial, e isso provavelmente vai acelerar novamente com a última rodada de tarifas. "As crescentes tensões entre EUA e China provavelmente levarão a China a adquirir mais grãos e proteínas do Brasil, o que pode reduzir a demanda por commodities e, por sua vez, os preços nos EUA, ao mesmo tempo em que aumenta a demanda e os preços no Brasil", disseram analistas do Santander. Os preços da soja brasileira já estão subindo. O prêmio nos portos locais atingiu uma alta da temporada esta semana, disse Eduardo Vanin, analista da Agrinvest. "Qualquer demanda adicional da China pode resultar em exportações mais fortes do Brasil a preços mais saudáveis", disseram analistas do Itaú BBA em nota aos clientes. Isso apoiaria empresas agrícolas brasileiras como a SLC Agricola (SLCE3.SA) e BrasilAgro (AGRO3.SA). Mais exportações significariam menos oferta doméstica, no entanto, e isso aumentaria os custos dos grãos para alimentar os animais para frigoríficos locais, como a JBS (JBSS3.SA) e BRF (BRFS3.SA). PRESSÃO SEVERA Um aumento nos preços dos alimentos, no entanto, seria uma má notícia para o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, cuja popularidade caiu nos últimos meses, principalmente devido aos altos custos dos alimentos. Os preços de alimentos e bebidas subiram cerca de 8% em 2024 como um todo, de acordo com a agência de estatísticas IBGE, e em janeiro subiram quase 1%, marcando o quinto mês consecutivo de aumento. Os dados de fevereiro serão divulgados na próxima semana. O Banco Central do Brasil, que vem aumentando as taxas de juros, disse que os preços mais altos da carne foram fundamentais para um aumento significativo nos custos dos alimentos e descreveu um cenário adverso de curto prazo. O vice-presidente Geraldo Alckmin e outras autoridades se reunirão com líderes da indústria alimentícia na quinta-feira, enquanto o governo busca maneiras de reduzir os preços dos alimentos. A inflação também aumentou em 2018-2019, quando o Brasil exportou mais produtos agrícolas para a China. Os preços ao consumidor no Brasil encerraram 2018 em 3,75% e aceleraram para 4,31% no final do ano seguinte. DE VOLTA PARA O FUTURO O Santander observou que, embora menos severas do que as taxas de 2018, as últimas tarifas anunciadas por Pequim acelerariam a diversificação de longo prazo dos suprimentos dos EUA. A demanda turbinada da China melhoraria uma perspectiva já positiva para o agronegócio brasileiro, que vê a produção de produtos essenciais atingir níveis recordes neste ano. Espera-se que o Brasil colha uma safra recorde de soja de cerca de 170 milhões de toneladas em 2024/25, com exportações superiores a 100 milhões de toneladas, e as indústrias de carne bovina, de aves e suína também preveem produção e embarques recordes neste ano. "A China tentará obter o máximo possível do Brasil", disse Carlos Cogo, da consultoria de agronegócios Cogo, acrescentando que as novas tarifas tornariam os produtos americanos ainda menos competitivos em relação aos brasileiros. The chart has two sections, one bar chart showing the share of Brazil and the United States in China’s total agriculture imports in 2015 and 2024, and another line chart showing the agricultural imports from Brazil and the U.S. between 2015 and 2024. O gráfico tem duas seções: um gráfico de barras mostrando a participação do Brasil e dos Estados Unidos nas importações agrícolas totais da China em 2015 e 2024, e outro gráfico de linhas mostrando as importações agrícolas do Brasil e dos EUA entre 2015 e 2024. CARNE DE PRIMEIRA Representantes dos produtores de carne do Brasil disseram que a mudança no comércio global deve ser positiva para o país sul-americano. "O Brasil acabará se beneficiando, especialmente em termos de preços e lucratividade", disse Ricardo Santin, chefe do grupo de lobby da carne ABPA, à Reuters. As ações dos frigoríficos e produtores de grãos brasileiros ficaram praticamente estáveis ​​na quinta-feira, após terem subido acentuadamente na sessão anterior. Santin disse que os ganhos com mais exportações para a China, que já é um grande comprador de carne brasileira, provavelmente compensariam os custos mais altos da ração. Fonte: https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/395828-brasil-se-prepara-para-maior-demanda-chinesa-e-precos-mais-altos-de-alimentos-em-meio-a-guerra-comercial-com-os-eua.html