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Preços dos óleos vegetais estão próximos do pico e devem se manter assim até fim do semestre
O rally nos preços dos óleos vegetais ganhou ainda mais evidência nestes últimos dias e tem sido importante combustível para os preços também da soja em grão. Com preços altos em todo mundo, no Brasil os preços altos do derivado "ajudam a conter a baixa no grão, já que o farelo está em queda", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.
Segundo analistas e consultores nacionais e internacionais, os preços dos óleos vegetais podem estar muito próximos de seu pico e a volta dos patamares pode ser lenta e bastante gradual. O cenário reflete estoques globais bastante apertados, recuperação também gradual da produção matéria-prima, além de uma demanda maior, principalmente, no setor de biodiesel.
No gráfico a seguir, o comportamento dos preços do óleo de palma da Malásia em roxo (em ringgit por tonelada); óleo de soja dos EUA em branco (cents de dólar por libra-peso); óleo de girassol da União Europeia em amarelo (em euros por tonelada) e em o óleo de girassol da região do Mar Negro (em rublos por tonelada).
A alta dos óleos vegetais é tão forte e consistente que é ela quem lidera o avanço do índice FAO de preços dos alimentos. No boletim deste mês divulgado pela instuição no último dia 4, o braço da ONU para alimentação e agricultura alcançou 147,4 pontos em fevereiro, subindo 8,6 pontos - ou 6,2% - em relação a janeiro, marcando sua máxima desde abril de 2012. E a alta registrada em fevereiro foi a nona consecutiva.
No mesmo período, o índice dos cereais subiu 1,2% para 125,7 pontos; o de lácteos 1,7% para 113 pontos; o de carne 0,6% para 96,4 e o de açúcar 6,4%. No gráfico abaixo é possível observar o comportamento dos preços na linha laranja o açúcar, na azul as carnes, na amarela os cereais, na rosa os lácteos e a verde, disparada, os óleos vegetais.
Essa força nos preços internacionais tem se dados para os óleos de palma, soja, canola e girassol. Além dos baixos estoques e de menor produção de matérias-primas em países-chave na produção - como os da União Europeia para canola e girassol -, os preços da soja continuam em uma trajetória de alta. E complementando, há ainda as altas recentes do petróleo que ajudam nos ganhos", explica a FAO.
O FAO Food Price Index (FFPI) registrou, em fevereiro, 116 pontos, com 2,8 pontos - ou 2,4% - de alta se comparado a janeiro, também subindo pelo nono mês consecutivo.
Apesar da continuidade da pandemia e das medidas mais severas de restrição, o consumo de alimentos segue muito elevado mundialmente e a perspectiva da utilização dos óleos no setor de biocombustíveis também são bastante positivas.
Para o óleo de Palma, há ainda uma situação de pouca mão-de-obra disponível, que ajuda a manter o aumento da produção limitado e insuficiente. Enquanto isso, na China, o esmagamento também está mais contido agora - dadas as margens muito apertadas da indústria e de uma menor demanda por farelo de soja - e assim os estoques da nação asiática seguem baixos e sendo mais um fator de alta para as cotações.
"Estamos em uma bolha, e a bolha vai estourar, mas não espero que os preços entrem em colapso", disse James Fry, presidente da consultoria de commodities LMC International à Reuters Internacional.
Na Malásia, pela primeira vez desde 2008, os futuros do óleo de palma - o mais consumido e o mais barato do planeta - alcançaram os US$ 968,76 por tonelada, em meados de março. Neste 2021, o mercado tem trabalhado com uma média de preços na casa de US$ 883,01.
Afinal, depois de uma queda de 2,5 milhões de toneladas nos estoques globais do produto no ano passado, a expectativa é de que se registre um incremento de 3 milhões. A estimativa é de que a produção malaia chegue a 19,6 milhões de toneladas e a indonésia a 48 milhões.
O gráfico abaixo contém dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e foi produzido pela Reuters ilustrando os dados de produção, demanda, importações e estoques de óleos vegetais. Da produção global, 36% é de óleo de palma, 29% de soja, 13% de canola 9% de girassol e 9% de outros óleos.
Com a imagem é possível observar ainda o comportamento das crescentes importações mundiais de óleos de palma e soja nos últimos 20 anos comerciais, e a baixa dos estoques de ambos, principalmente, a partir da safra 2015/16 na palma.
ÓLEOS X FARELO
As margens apertadas e muitas vezes negativas que têm sido registradas na China pesam sobre o esmagamento no país e parte desse quadro se dá pela demanda, ao menos por hora, mais tímida por rações. O alojamento de suínos não tem se dado na velocidade esperada e as indústrias vêm reduzindo seu ritmo de atividades.
"As indústrias processadoras na China estão reduzindo o esmagamento por conta da baixa demanda interna por rações por conta do aumento dos surtos de Peste Suína Africana (...) E a queda no processamento de soja e o aumento do consumo de óleos comestíveis está levando os estoques de óleo de soja para as mínimas históricas", explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest.
Assim, as importações de óleo pelos chineses deverão ser bastante elevadas.
Especialistas ouvidos pelo portal S&P Global Platts afirmam que "a China pode reduzir sua demanda entre abril e maio já que suas plantas de processamento estão atuando abaixo da capacidade". E para alguns especialistas, as margens poderiam ficar negativas até junho.
Fonte: https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/soja/283661-precos-dos-oleos-vegetais-estao-proximos-do-pico-e-devem-se-manter-assim-ate-fim-do-semestre.html#.YFx5vK9KjIU.